quinta-feira, 15 de agosto de 2019

A Febre

Madrugada. Febre alta. Era a agonia. 
Quarenta graus de morte e de calor. 
A febre sufocava. A dor doía... 
Cansaço. Desconforto. 

Febre alta. Agonia. Madrugada. 
O corpo parecia se entregar. 
A voz gritava, desesperado. 
Tudo que a voz sabia era gritar. 

Febre alta. Quarenta. Desespero. 
Um desacerto. Um dano. Um exagero. 
A dor agonizando a madrugada. 

Às vezes também é assim a vida: 
Tem dias que arde em febre descabida 
Como quem traz a alma sufocada. 

A febre ardendo. A alma torporosa. 
Cansaço. Desconforto. Mal-estar. 
Uma agonia insana e escandalosa. 
A alma parecendo sufocar 

Como se fosse eterna a madrugada, 
Como se fosse imensa essa agonia, 
Como se fosse um sol que incendiava, 
Como se a noite devorasse o dia... 

A alma padecendo em desconforto 
Como quem se desgarra e perde o porto... 
Como quem é só descontentamento... 

Algum lugar há de existir, no entanto, 
Que ponha fim à dor e ao desencanto 
E que amenize a cor do sofrimento...